Alstom paga R$ 8mi de propina a membros do PSDB-SP
EX-GENRO DE FHC ESTARIA ENVOLVIDO NO PROPINODUTO, SEGUNDO “FOLHA DE S. PAULO”
Sentindo-se mortida com furos freqüentes do “Wall Street Journal” (jornal americano), como o Arena informou ontem, a “Folha de S. Paulo” forçou-se a informar (sem manchete na primeira página e escondida A12) que a Alstom “teria acertado suborno para obter contrato de R$110 milhões”. A reportagem é de Mario Cesar Carvalho e José Ernesto Credendio.
O pagamento da propina, segundo o jornal, foi acertado em 21 de outubro de 1997, durante a gestão do PSDB em São Paulo e de Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) na Presidência da República.
Segundo o memorando a que a “Folha de S. Paulo” teve acesso, a propina tinha fins às “finanças do partido [PSDB]“, “[a]o tribunal de contas” e à “Secretaria de Energia”, que tinha à frente da pasta David Zylbersztajn, ex-genro de Fernando Henrique Cardoso.
Ainda de acordo com a reportagem, “o suborno” funcionou. A Alstom “foi contratada pela EPTE (Empresa Paulista de Transmissão de Energia) para fornecer os equipamentos por R$ 110 milhões”. A EPTE é uma cisão da Eletropaulo, privatizada em 1998.
“VOCÊ QUER QUE EU LEVE UM TIRO?”
José Geraldo Villas Boas, ex-presidente da Cesp (Companhia Energética de São Paulo) e da Eletropaulo, indicou ao ”Wall Street Journal” como a Alstom disfarçava as propinas: pagamento a consultorias fictícias.
Villas Boas, segundo o “WSJ”, recebeu de “suborno” 7,8 milhões de francos (US$1,4mi, à época), depositados numa das contas da empresa dele, a Taltos Ltd., na Suíça.
Ele disse ao jornal americano que em vários casos as consultorias eram “ficções” inventadas “para realizar um pagamento”. Quando questionado sobre quem recebia o dinheiro, Villas Boas respondeu: “O que, você quer que eu leve um tiro?”.
Todos os documento a que o “Wall Street Journal” teve acesso são das autoridades suíças, que investigam os braços do propinotudo em outros países.
No Brasil, o PSDB-SP, com a base aliada do tucano José Serra (governador de SP) vetou uma CPI na Assembléia Paulistana. E num raro momento de sintonia entre Geraldo Alckmin (PSDB-SP) e Serra, disseram que “não há nada o que se investigar”.
Nonato Viegas