Paulo Nogueira Batista Jr. é diretor-executivo do FMI e representa nove países (Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Haiti, Panamá, República Dominicana, Suriname e Trinidad e Tobago).
Em recente artigo para o jornal “Folha de S. Paulo”, Batista Jr. traça os motivos para a alta inflacionária. Diz que “a (…) inflação é fruto, em larga medida, de choques externos: os aumentos acentuados dos preços internacionais dos alimentos, do petróleo e de commodities metálicas”.
E questiona “a eficácia da taxa básica de juro como instrumento de controle da inflação”, que parece-lhe “hoje menor -dada a necessidade de preservar, em alguma medida, a posição externa da economia”. E conclui: “A política monetária só deveria ser usada com moderação”.
Para Batista Jr., existem outros instrumentos importantes para o controle inflacionário, “por exemplo: controles seletivos de crédito ao consumo, cortes de gastos não-prioritários do governo, desonerações tributárias e outras medidas para controlar pressões localizadas de preços”.
Mas também alerta que tais medidas não podem ser exageradas para não “sacrificar a retomada do crescimento econômico”, como “há muito não se via”.
MEDIDAS DO GOVERNO PARA SEGURAR A INFLAÇÃO
Não só com aumento dos juros (atualmente em 12,25% ao ano -FHC deixou o governo em 25%) o governo controla a inflação, como sugere o diretor-executivo do FMI. Hoje sai a notícia de que Lula aumentará o crédito aos produtores a fim de que cresça a produção de alimentos (encaixa-se em “outras medidas”).
Produtos importados, como o trigo (do pãozinho), tiveram impostos de importação reduzidos a zero (as “desonerações tributárias” a que se refere Batista Jr.). E a gasolina é subsidiada, para que não onerar o transporte de alimentos, conseqüentemente, não sobe o preço ao consumidor final (também “outras medidas”).
Espanha, Argentina, França, Chile, Índia e outros já sofrem com protestos contra a inflação. Aqui, o governo federal e o Banco Central se esmeram em controlá-la.
Nonato Viegas
[...] Inflação: a análise do diretor-executivo do FMI para AL [...]