Como explicar o fenômeno Lula?

2008 Junho 21
by Nonato Viegas

(Por Wagner Lemos)

(ANÁLISE)

Nas eleições de 1994, Fernando Henrique Cardoso, o então candidato do PSDB à Presidência, tinha um grande trunfo em suas mâos: o Plano Real. De nada adiantavam os ataques raivosos de Lula contra a política econômica tucana. FHC não foi o autor do Real, mas o sociólogo montou uma equipe que conhecia bem o caminho para a estabilidade econômica que vivenciamos hoje, com o aperfeiçoamento feito pelos petistas Antônio Palocci e Guido Mântega. O PT e o PSDB, hoje inimigos políticos declarados, já estiveram bem próximos de serem aliados. Lula já panfletou para FHC na campanha para o Senado, em 1978, como conta o livro “A História Real -Trama de uma Sucessão”, de Gilberto Dimenstein e Josias de Souza.

Fernando Henrique, em 94, estava com sua carreira política desacreditada por ele mesmo. Até que um convite para suceder Eliseu Resende no Ministério da Fazenda modificou seu futuro na política. Eliseu estava sendo acusado de favorecer a construtora Norberto Odebrecht e o presidente Itamar Franco necessitava de um nome que unisse o governo. Foi então que FH ganhou fôlego para continuar na política. Segundo Dimenstain, FHC não conseguiria se reeleger ao Senado.

Com a valorização da moeda, a população se beneficiou no começo e a aceitação ao líder do Plano Real, FHC, levou-o a ocupar o Palácio da Alvorada, numa disputa com Lula batendo muito na política de Fernando Henrique.

O feitiço se voltou contra o feiticeiro e, hoje, Lula está no lado em que Fernando Henrique estava. A população está satisfeita com a estabilidade econômica, o crescimento na renda. Benefício tirado do plano econômico que Lula foi contrário.

Uma das tendências para a alta popularidade de Lula e a apatia da oposição está no bom desempenho da economia e na falta de estratégia dos adversários do governo. O PSDB tem dois fortes candidatos para 2010, o governador de São Paulo, José Serra, e o de Minas, Aécio Neves. Falta saber se: primeiro conseguirão unir o partido. As recentes prévias nos Estados Unidos entre Hilary Clinton e Barack Obama que dividiram o partido serve como exemplo. E segundo, como farão para enfraquecer a imagem de Lula.

 

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