Sem sentido dizer que Lula continua política de FHC

2008 Junho 23
by Nonato Viegas

(ANÁLISE)

É sem sentido dizer que Lula continua a política econômica de FHC. O fato de termos o Real como moeda não significa que a política econômica do PT é a do PSDB. Imagina se a cada novo presidente, mudássemos também a moeda. Em nenhum país sério ocorre isto. Nem na Argentina. Política econômica é muito mais do que manter ou não a moeda.

Permancêssemos na política de FHC, teríamos juros ainda mais altos (25% ao ano), permaneceríamos endividados com FMI, o emprego formal não teria aumentado, nem a pobreza diminuído. Não é exercício de “achismo”, é análise de tendências. Se houvesse mudança no rumo, como houve com Lula, talvez minhas projeções estivessem erradas.

Acabo de ler no portal IG que a “desigualdade entre salários caiu 7% desde 2002, diz Ipea”. Os consercadores não devem gostar da notícia.

Levantamento do “Economist Intelligence Unit” desmonta o argumento segundo o qual o presidente Lula teve sorte, de que o mundo esteve bem no seu mandato, portanto, o Brasil só teria acompanhado uma tendência.

De 1981 a 1995, a economia vivia uma instabilidade muito grande. Enquanto em 86 o país crescia, em 91, atigia um pico de recessão que beirou os 15%. Quer dizer: em vez de crescer, o país “diminuiu”.

Em 96, já no governo de Fernando Henrique Cardoso, o mundo cresceu pouca coisa; já o Brasil, viu seu PIB variar negativamente. 98 e 99, o mundo cresce quase na faixa dos 5%. A política econômica de FHC dá ao Brasil crescimento zero. Quer dizer: não cresce. De novo, na contramão mundial.

Em 2004, já no governo Lula, o crescimento mundial esteve em 4%, o PIB brasileiro expandiu para além dos 5%.

Em 2007, o mundo ficou em 3,8%. O Brasil, em 5,4%. Também não esteve colado à tendência global.

A editora de América Latina da “Economist Intelligence Unit”, Érica Fraga, projeta o Brasil para a 2º economia nas Américas, passando o Canadá, ficando atrás somente dos Estados Unidos, ainda este ano.

Diz que “este cenário se sustentará entre 2010 e 2012, quando PIB brasileiro deverá crescer a uma média anual superior a 4%”, contra apenas 3% da economia global.

A política de Lula não é continuísta da do FHC. É melhor, do ponto de vista desenvolvimentista.

Nonato Viegas

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