Em artigo publicado, hoje, 26, na “Folha de S. Paulo”, sobre inflação, Paulo Nogueira Batista Jr., diretor-executivo do FMI para países da América Latina, diz que “não há motivos para pânico ou reações radicais da política monetária”.
Apesar de ponderar que ”a preocupação com a alta dos preços se justifica”, Batista Jr. faz uma série de questionamentos como “até que ponto é grave a inflação que estamos experimentando em 2008?” e se “cabe reagir com dureza e jogar a economia na recessão?” e por fim se ”é o caso de continuar aumentando os juros e correr o risco de derrubar o crescimento econômico?”.
O economista diz que ”a inflação relevante para os mais pobres aumentou mais” já que é puxada, principalmente, por alimentos, pesando no orçamento familiar.
Na contramão de economistas mais conservadores, diz que a correção do valor do Bolsa Família não deveria ser com base em índices do IPCA, “mas por um índice que refletisse a estrutura de gastos da população pobre”. Um reajuste maior do que o dado pelo governo federal.
Batista Jr. escreve que ”a inflação está subindo em quase todos os países. O rápido aumento dos alimentos, do petróleo e de outras matérias-primas é o maior choque de preços na economia mundial desde a década de 1970″.
E, ao contrário do que somos levamos a acreditar lendo somente as notícias de economia, “a inflação brasileira não é alta para padrões internacionais”.
O Brasil está um pouco acima da dos Estado Unidos (4,2%) e da zona do Euro (3,7%). Mas é baixa comparando a outros países em desenvolvimento (a excessão de México e Coréia do Sul).
E pondera que “a inflação continua abaixo do teto da meta, que é de 6,5%” e que dos países que “adotam regime de metas, o Brasil é um dos poucos que estão conseguindo cumprir”. Segundo o diretor-executivo do FMI, “na grande maioria, a inflação ultrapassou o teto fixado, em alguns casos por larga margem”.
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