COLLOR SOFRE PRESSÃO PARA NÃO DAR A CONCESSÃO
Fundada a Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), em 1977, Edir Macedo já pensava em vôos mais altos. “Repetia que seria dono de uma emissora de televisão”, recorda Manoel Francisco da Silva, controlador da Record Internacional nos Estados Unidos (retransmite a programação da Record para as Américas do Norte e Central -Silva foi um dos primeiros pastores da igreja). O
bispo/empresário não tinha idéia de que teria de esperar até 30 de setembro de 1992 -15 anos depois- para obter a concessão do canal, assinada por Fernando Collor de Mello.
Peça-chave, à época, João Eduardo Cerdeira de Santana, 50, admite à biografia “O Bispo” que muita gente ”poderosa” pressinara o governo federal para impedir que a concessão fosse assinada. “As influências contra vieram de vários lados, durante o processo”, diz o advogado, que era ministro da Infra-Estrutura, responsável pela Secretaria de Comunicações. “Outros donos de emissoras de televisão e chefes de grupos da imprensa escrita” eram os principais “incomodados”.
Apesar de admitir as pressões e afirmar que o principal motivo da oposição se devia ao fato de Macedo “ter envolvimento com uma igreja”, Santana diz ser difícil citar exemplos de pressão. Já que, segundo ele, a ação era “na surdina”. “Os incomodados nunca formalizavam seus interesses. Nunca ninguém mandava um ofício para mim dizendo: ‘Olha, eu sou contra a concessão’”. Segundo o ex-ministro, ouvia sempre que a concessão precisava ser melhor analisada.
As empresas, segundo Santana, contrárias ao bispo/empresário eram o Grupo Estado (os Mesquita) e o Grupo Abril (os Civita).
Em tempo: horas antes do lançamento da Record News, Edir Macedo reviveu o “drama” de por no ar uma emissora. A Globo, nem tão na “surdina” assim, fez pressão junto ao Ministério das Comunicações alegando “ilegalidades” na substituição da Rede Mulher.
Edir Macedo se recente da campanha contra a aquisição da Record. Em julho de 1991, o “Jornal do Brasil”, que também havia feito proposta de compra do canal, o acusara de receber US$ 1 milhão de um narcotraficante colombiano. Macedo teve de falar sobre a acusação à CPI do tráfico de drogas. Disse à época que acreditava “na inteligência do povo (…) e na dos nobres deputados”. “É possível enganar o povo por um tempo, mas não o tempo todo. A Igreja Universal trabalha da mesma forma há 14 anos, e onde estão os nossos erros? Se viéssemos de outra parte do mundo, seríamos muito bem aceitos no Brasil. Mas, como somos daqui, como somos brasileiros, sofremos uma perseguição injusta”, defendeu-se. “Somos caluniados porque somos brasileiros”.
De acordo com a biografia “O Bispo”, é quando surge um personagem “sombrio”: José Carlos Martinez, dono da CNT (Central Nacional de Televisão) e um dos tesoureiros da campanha do presidente Fernando Collor de Mello.
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