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Baixa renda supera elite na universidade

Os filhos da baixa renda dão o novo rosto às universidades brasileiras: somados, são 73,7% dos universitários, segundo o Data Popular. “Um contingente enorme que representa a primeira geração de suas famílias a obter um diploma de nível superior”, afirma Renato Meirelles, socio-diretor do instituto.

Uma as razões para a inclusão dessas jovens é o ProUni (Programa Universidade para Todos), que já atendeu 747 mil estudantes de baixa renda nos últimos seis anos.

Para Meirelles, que falou a “O Dia”, esses jovens tem a universidade como investimento pesado, mas que vale a pena. “A família vê no estudo a única chance de mudar as condições de vida”.

Outro dado do Data Popular é que por ter de trabalhar, a maior parte dos filhos da baixa renda prefira trabalhar à noite.

A faculdade era um sonho impossível que se tornou real. Chegou a nossa vez de estar nas universidades, ter as mesmas oportunidades e ocupar os espaços no mercado de trabalho onde só os ricos podiam.

Ronaldo Fonseca (universitário, 25 anos)

 

Papel do Brasil no Oriente Médio

(Análise)

Por Clóvis Rossi, de Amã, para “Folha de S. Paulo”

A certo ponto da reunião de ontem da comitiva brasileira com o príncipe Hassan ibn Talal, tio do rei Abdullah 2º, da Jordânia, e com o chanceler Nasser Judeh, os próprios brasileiros trouxeram ao diálogo uma dúvida que é recorrente no Brasil, fora do governo: disseram que às vezes sentem-se como “intrusos” no processo de paz no Oriente Médio.

“É o tipo da intrusão que queremos”, responderam os dois jordanianos.
Resposta tranquilizadora para a ânsia com que o presidente Lula busca tornar-se parte do processo. Mera cortesia dos anfitriões, como de resto já havia acontecido em Israel e na Palestina, ou possibilidade real de participação?

Não há resposta definitiva por enquanto. Até porque o assessor diplomático de Lula, Marco Aurélio Garcia, deixa claro que só lá pelo meio do ano é que se terá uma visão mais clara de que participação o Brasil poderá ter e, assim mesmo, no futuro. Dificilmente será no governo Lula, aliás.

De todo modo, Marco Aurélio tem uma análise que é igual à que se faz em boa parte do mundo rico: “A crise dos grandes atores internacionais permite a emergência dos outros”.

O chanceler Celso Amorim também adota um grau de realismo sobre o papel do Brasil que o voluntarismo do presidente às vezes sobredimensiona. Diz que o papel do Brasil “não é o de vir com uma fórmula pronta” para resolver o conflito, mas o de contribuir com o que chama de “um novo olhar sobre o problema”.

“O ator fundamental continua sendo os Estados Unidos, mas tudo o que diz Washington desperta uma dada reação, ao passo que o Brasil não entra com uma bagagem de interesses estratégicos, militares e econômicos apenas para tentar melhorá-la”, diz Amorim.

Marco Aurélio reforça o realismo quando é lembrado pela “Folha” que, antes de sentar novos atores à mesa de negociações, como seria o Brasil, é preciso haver a mesa, o que não existe hoje. “Tem coisas que não dominamos”, admite.

Mas o Brasil não busca protagonismo apenas pela nobreza da causa da paz. “Não somos nem a Cruz Vermelha nem a Legião da Boa Vontade”, ironiza Marco Aurélio.

O Brasil quer igualmente fazer negócios, expandir seu comércio, ter suas empresas atuando globalmente, o que significa presença também no Oriente Médio, o que hoje é complicado pela instabilidade. “Não nos interessa uma situação degradada, que ameaça a paz internacional”, fecha o assessor da Presidência.

Magno Malta se diz indignado com Lula

Por Wagner Lemos

O senador Magno Malta (PR-ES) afirmou estar indignado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com o “JB”, a revolta é por conta de uma suposta quebra de palavra. Lula teria se comprometido com os governadores do Rio e do Espírito Santo que os Estados não seriam prejudicados.

Rio e ES são produtores que poderão sofrer prejuízos milionários caso a emenda Ibsen seja aprovada também no Senado e o presidente sancione.

É possível que o STF julgue como inconstitucional as novas regras.

Disse Malta:

“Recebo com tristeza e envergonhado [as declarações], porque, quando a discussão começou, o presidente se comprometeu com os governadores Paulo Hartung [do Espírito Santo] e Sérgio Cabral [do Rio de Janeiro] que os estados produtores não seriam prejudicados. Não tenho ele [sic] como um mentiroso, mas, se o presidente não cumprir o que disse, terei uma grande decepção”.

Para Sergio Cabral (PMDB), no entanto, é “covardia” dizer que houve falta de empenho de Lula para mobilizar a base aliada contra a chamada emenda Ibsen.

“O presidente Lula se empenhou desde o início para chegarmos a um acordo sobre o pré-sal a ser licitado”, afirma. “Essa emenda Ibsen foi rejeitada na comissão especial. Ela não fez parte do relatório do deputado Henrique Eduardo Alves e foi rejeitada. Estava tudo certo para cumprir o acordo no plenário”.

Ainda para o governador do Rio, o “presidente Lula não pode responder pelo erro de um grupo de parlamentares” que “muda completamente um acordo feito e votado na comissão especial”.

Arena apurou que o presidente Lula vetará a proposta, caso seja aprovada.

Serra não é contra a emenda Ibsen, diz deputado

Por Wagner Lemos

De acordo com o deputado do PC do B Edmílson Valentin, José Serra (PSDB) é favorável a emenda Ibsen Pinheiro (PMDB-RS) que propõe um corte milionário nos royalties do petróleo para os Estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Como economista, Serra teria  se calado para  beneficiar a cidade de São Paulo. Apenas após a aprovação na Câmara Federal, o pré-candidato tucano ao Palácio do Planalto se posicionou contrário à emenda.

“Não houve ingenuidade”

“Serra é economista, é do ramo. Quando apresentou a emenda, ele sabia que São Paulo, como maior consumidor de energia elétrica e derivados de petróleo, teria compensação financeira forte. Da parte dele, não houve ingenuidade”, afirmou.

Segundo o “JB”, o deputado Miro Teixeira se disse “preocupado” com a possível quebra do pacto federativo.

“Estou preocupado com a integridade da federação, que está quebrada com a violência empregada pela Câmara. Foram 25 estados contra dois”, lamenta Miro Teixeira, lembrando que os deputados optaram por retirar do Rio recursos já comprometidos em contratos e receitas.

Brasil diminui favelados, mundo aumenta

Por Nonato Viegas

O Brasil diminuiu o número de favelados em 16% nos últimos 10 anos – sete dos quais no governo Lula. Ao todo, 10,4 milhões de pessoas saíram das favelas.

Já que os moram em habitações precárias diminuiu de 31,5% para 26,4%. Os motivos: adoção de políticas econômicas e sociais, diminuição da taxa de natalidade e migração do campo para a cidade.

As conclusões estão no relatório “State of the World’s Cities 2010/2011”, produzido pelas Nações Unidas (ONU).

Em todo o mundo, houve aumento no número de favelados: de 776,7 milhões foi para 827,6 milhões em uma década.

Na semana que vem, o Rio será sede do V Fórum Urbano Mundial, entre os dias 22 e 26. Com tema “O Direito à Cidade: Unindo o Urbano Dividido”, o evento da ONU visa analisar os desafios da rápida urbanização e seus impactos na sociedade.

R$ 10 para público ir a ato dos royalties

Por Nonato Viegas

Dos jornalistas Sergio Rangel e Italo Nogueira a informação de que houve promessa de R$ 10 para que operários do PAC (Programa de Aceleção do Crescimento) fossem ao ato político em defesa dos royalties do petróleo.

A passeata política virou show de funk e pagode.

Os canteiros de obra do PAC pararam por volta de 12h, para que todos estivessem liberados. Houve chamada para verificar o comparecimento. 80 mil pessoas passaram pelo centro do Rio, segundo os organizadores.

Responsável pela liberação das verbas para as obras, o Ministério das Cidades não quis se manifestar.

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Constituição garante royalties

Cabral sabe que Rio não perderá royalties

Economia corre mais do que as pernas

(Análise)

Por Vinícius Torres Freire, para a “Folha de S. Paulo”

O país está criando tantos empregos formais quanto nos meses que antecederam o soco da crise mundial, em setembro de 2008. Era o momento em que a economia crescia quase 7% ao ano.

Uma estimativa do crescimento para o PIB do primeiro trimestre de 2010 por ora indica que a economia cresceu no mesmo ritmo do final do ano passado. Isto é, 2% em relação ao trimestre anterior, o que dá um ritmo anual de 8%. É forte.

Um dos institutos de pesquisa econômica até agora mais pessimistas com o Brasil, a EIU, revisou de 4,8% para 5,5% sua estimativa para o crescimento do PIB brasileiro em 2010, a ser divulgada hoje (a EIU faz parte do grupo que edita a revista “The Economist”). Note-se que os 5,5% da EIU ainda estão abaixo das projeções de bancões brasileiros, que andam por volta de 6%.

A economia brasileira está correndo mais do que o previsto pelo governo e até por aqueles ainda mais otimistas que o pessoal de Brasília.

A projeção de PIB disparado neste início de 2010 é do pessoal da pesquisa macroeconômica do Itaú Unibanco, liderado por Ilan Goldfajn, ex-diretor do Banco Central.

O dado completo mais recente dos economistas do banco é de janeiro.
Trata-se do PIBIU, um nome engraçado, como o de um passarinho. O PIBIU é a estimativa de uma espécie de PIB mensal. Mesmo a conta feita com dados fechados para o trimestre, do IBGE, costuma carecer de revisões, que dirá uma estimativa mensal, como o próprio pessoal do banco reconhece. Porém, há fumaça evidente em quase toda a economia.

Na média dos três meses contados até janeiro, o PIBIU registra a maior taxa de crescimento em 48 meses.

No relatório do Itaú Unibanco, assinado por Aurélio Bicalho, se diz: “Temos de admitir que a desaceleração da atividade que esperávamos para o primeiro trimestre não está acontecendo”. Os economistas acreditavam que, com a contenção dos gastos do governo e com o fim gradual das reduções de impostos (estímulo fiscal), seria difícil manter o ritmo forte do final de 2009.

A relativa desaceleração viria, pois, nos próximos trimestres, embora o pessoal do Itaú Unibanco admita que é difícil medir o efeito da redução do estímulo fiscal.

As dúvidas devem ter crescido com os dados do Caged, o registro oficial de contratados e demitidos, entre os que têm carteira assinada.

Nas contas dos economistas do Bradesco, liderados por Octavio de Barros, o país deve terminar o ano com um saldo de 1,8 milhão de empregos.

Atualmente, a economia contrata a um ritmo que, anualizado, daria em 2,5 milhões de empregos. Note-se que dezembro costuma ser mês de muita demissão. Logo, pelas contas do Bradesco, as empresas vão contratar bastante até outubro, pelo menos. Outubro, mês de eleição.

Os números sobre a confiança de empresários e consumidores estão em alta. Um indicador informal de apertos da indústria, o número de decibéis das queixas de empresários sobre juros e câmbio, está sob controle, digamos, quase quieto. As altas de juros do Banco Central começarão a ser sentidas apenas lá por setembro e outubro, se tanto.

Afora hipótese de catástrofe externa, o PIB vai crescer bem. Talvez, ressalte-se, até demais.