Arquivo da categoria: Política e mídia

Comparato: Que o governo Dilma não se acovarde diante da mídia

Por Joana Rozowykwiat, do VERMELHO

Engajado na luta pela democratização da comunicação, o jurista e professor Fábio Konder Comparato decidiu provocar o governo, o Congresso e o Supremo Tribunal Federal a tratarem do tema. Ele é autor de três ações diretas de inconstitucionalidade por omissão (ADO), contra o Congresso Nacional, que até hoje não regulamentou os artigos da Constituição de 1988 que tratam da comunicação.

Fábio Konder Comparato

“Nossa Constituição é uma brilhante fachada, por trás da qual se abre um enorme terreno baldio”, diz Comparato, em entrevista ao Vermelho. Segundo ele, ao longo desses 22 anos, grande parte dos parlamentares tem cedido à pressão do que ele chama de “oligopólio empresarial que domina o mercado de comunicação”, sempre interessado em perpetuar a falta de rédeas no setor.

Com as ADOs, o jurista pretende que os parlamentares se pronunciem sobre temas ainda em aberto na legislação brasileira, como a garantia do direito de resposta nos meios de comunicação; a proibição do monopólio e do oligopólio no setor; e o cumprimento, pelas emissoras de Rádio e TV, de alguns princípios que devem reger a programação.

Mais que conseguir uma posição favorável no Judiciário, a ideia é trazer o tema a debate na sociedade e pressionar o governo federal, para que ele proponha ao Congresso projetos para regulamentar e, assim, democratizar as comunicações brasileiras.

Em muitos momentos um crítico do governo Lula, Fábio Konder Comparato expõe suas expectativas em relação à nova gestão: “Espero que o governo da presidente Dilma Rousseff não se acovarde, nem diante do oligopólio empresarial de comunicação de massa, nem perante os chefes militares, que continuam a defender abertamente os assassinos, torturadores e estupradores” da ditadura.

Segundo ele, para que o Brasil ingresse em uma verdadeira democracia, os meios de comunicação precisam ser “utilizados pelo povo como seus canais de comunicação, e não apropriados por grandes empresários, que deles se utilizam exclusivamente em seu próprio interesse e benefício”.

Para aprofundar as discussões sobre o assunto, o professor participa, nesta terça-feira (11), às 19h, do debate “O panorama da comunicação e das telecomunicações no Brasil”, ao lado do presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, e do jornalista Paulo Henrique Amorim. O evento, promovido pelo Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, acontece no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e é aberto ao público.

Leiaa entrevista completa de Comparato ao Vermelho:

Portal Vermelho: Qual o contexto que motivou essas ações e quais os seus objetivos?
Fábio Konder Comparato: A razão da propositura de ações de inconstitucionalidade por omissão é o fato de que há mais de duas décadas, ou seja, desde que a Constituição foi promulgada, em outubro de 1988, vários dos seus dispositivos da maior importância, relativos à organização e ao funcionamento dos meios de comunicação de massa, permanecem inaplicados, porque não foram regulamentados por lei. Vale dizer, a nossa Constituição é uma brilhante fachada, por trás da qual se abre um enorme terreno baldio.

Vermelho: O senhor pode dar exemplos de casos recentes em que essa falta de regulamentação causou prejuízos?
Comparato: Como exemplo do malefício causado pela omissão do Con-gresso Nacional em legislar a respeito dessa matéria, cito o descumprimento da proibição constitucional da existência de monopólio ou oligopólio dos meios de comunicação social. É fato notório que o setor de televisão no Brasil, por exemplo, dominado por empresas privadas, é um dos mais concentrados do mundo. A Globo controla 340 empresas; o SBT, 195; a Bandeirantes, 166; e a Record, 142.

Outro exemplo é a não-regulamentação do art. 220, § 3º, II da Constituição, por força do qual a lei deve estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.

Em 15 de junho de 2010, a Anvisa – Agência Nacional de Vigilância Sanitária baixou resolução, regulamentado “a oferta, propaganda, publicidade, informação e outras práticas correlatas, cujo objetivo seja a divulgação e a promoção comercial de alimentos considerados com quantidades elevadas de açúcar, de gordura saturada, de gordura trans, de sódio e de bebidas com baixo teor nutricional”.

Como sabido, desde 2005 a Organização Mundial da Saúde tem lançado advertências sobre os efeitos nocivos à saúde, provocados pela obesidade, sobretudo entre crianças e adolescentes. Pois bem, a Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação – Abia ingressou com ação na Justiça Federal de Brasília contra a Anvisa, pedindo que esta se abstivesse de aplicar aos associados da autora os dispositivos de dita resolução, pois somente a lei pode regulamentar a Constituição, e, no caso, tal lei ainda não foi votada.

A Justiça decidiu suspender os efeitos da resolução. Ou seja, o interesse econômico das empresas de alimentos foi mais forte do que o dever do Estado de proteger a saúde da população.

Vermelho: Que efeitos práticos podem ter essas ações, caso alguma seja acatada pelo STF? Como garantir que o Congresso analisará de fato a questão?
Comparato: O objetivo prático das ações judiciais já intentadas é de fazer pressão sobre o governo federal, a fim de que ele tome a iniciativa de apresentar ao Congresso um ou vários projetos de lei para regulamentar a Constituição nessa parte; sabendo-se que, no Congresso, os projetos de lei de iniciativa do Executivo têm muito mais probabilidade de serem apreciados e votados rapidamente, do que os apresentados pelos parlamentares.

Sob esse aspecto, aliás, a propositura das ações de inconstitucionalidade por omissão já começou a surtir efeito. Logo depois de proposta a primeira ação, Franklin Martins, então chefe da assessoria de comunicação social da presidência da República no governo anterior, declarou ser “um absurdo” a falta de regulamentação legal da Constituição no capítulo dos meios de comunicação social. E fez elaborar um anteprojeto de lei regulamentadora, que está atualmente em mãos do ministro da comunicação do governo Dilma Rousseff.

É indispensável continuar a fazer pressão sobre o governo e o Congresso, a fim de levantar o bloqueio orquestrado pelo oligopólio empresarial dos meios de comunicação de massa.

Vermelho: O senhor está na terceira tentativa de que o Supremo analise esse assunto. O que houve com as primeiras ações?
Comparato: A primeira ação foi proposta em nome da Fenaj – Federação Nacional dos Jornalistas e da Fitert – Federação Interestadual de Rádio e Televisão. A relatora no Supremo Tribunal Federal, a ministra Ellen Gracie, no entanto, não autorizou o seu processamento, declarando que somente as confederações sindicais, e não as federações, podem propor tais ações.

Ora, o art. 103, IX da Constituição é claro: são legitimadas a propor ações diretas de inconstitucionalidade, não só as confederações sindicais, mas também as “entidades de classe de âmbito nacional”.

Diante disso, entrei em contato com o PSOL e a Contcop – Confederação Nacional dos Trabalhadores em Comunicação e Propaganda, e ambos decidiram ingressar no Supremo com ações da mesma natureza, as quais já estão sendo processadas.

Vermelho: Por que os parlamentares têm feito vista grossa para essas lacunas?
Comparato: Na verdade, a maioria absoluta dos membros do Congresso Nacional, nas diferentes legislaturas, tem cedido à pressão do oligopólio empresarial que domina o mercado de comunicação de massa no Brasil.

Vermelho: Hoje há um movimento que desponta para combater distorções nas comunicações brasileiras. Como o senhor vê esse movimento? Que poder de pressão ele tem em prol dessa regulamentação e da democratização da mídia?
Comparato: A resistência à dominação do citado oligopólio privado dos meios de comunicação de massa é um trabalho que está apenas no começo, e vai exigir grande esforço de organização e de esclarecimento público, sobretudo por meio da internet.

Nesse sentido, deve ser saudada a recente criação do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, que reúne os principais sites e blogs não comprometidos com o mencionado oligopólio.

Vermelho: Que avaliação o senhor faz da mídia brasileira?
Comparato: A Constituição brasileira dispõe que os serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens devem ser explorados pela União Federal, diretamente ou mediante concessão administrativa. Trata-se, portanto, de um serviço público, e não de atividades de livre iniciativa privada.

Na prática, porém, como todos sabem, tais setores são dominados por grandes empresas no seu interesse particular. Chegou-se mesmo ao extremo de uma concessionária de televisão arrendar a terceiro o canal cuja exploração lhe foi concedida.

Quanto à imprensa, os donos de grandes jornais e revistas agem como verdadeiros patrões irresponsáveis, perante jornalistas submissos e um público leitor, tradicionalmente mantido na ignorância, ou vergonhosamente enganado.

Antigamente, os órgãos de imprensa eram valorosos instrumentos de controle do poder e de defesa das liberdades públicas. Hoje, a maioria deles, em nosso país, integra o bloco oligárquico que defende os interesses dos grupos dominantes.

Vermelho: E em outros países? Que comprações podem ser feitas com a regulamentação e a democratização da comunicação pelo mundo?
Comparato: A experiência dos Estados Unidos a respeito da não-regulamentação do setor de comunicação de massa é muito instrutiva. Em 1934, uma lei federal criou uma agência reguladora do setor (Federal Communications Commission) e estabeleceu regras rígidas para impedir a formação de conglomerados.

Em 1996, por força da pressão neoliberal, essa legislação foi revogada, e em 2003 a citada agencia reguladora levantou todas as restrições a participações cruzadas, na formação de grupos empresariais que exploram meios de comunicação de massa.

Os efeitos dessa mudança regulatória não se fizeram esperar. Até então, havia nos Estados Unidos 50 grupos médios de imprensa, rádio ou televisão, não interligados entre si. Agora, o mercado norte-americano de comunicações é dominado por apenas cinco macro-empresas, que controlam promiscuamente veículos de imprensa, redes de TV, emissoras de rádio e produtoras cinematográficas.

Vermelho: Que expectativa o senhor tem em relação ao novo governo, no que diz respeito às comunicações?
Comparato: Eu espero que o governo da presidente Dilma Rousseff não se acovarde, nem diante do oligopólio empresarial de comunicação de massa, nem perante os chefes militares, que continuam a defender abertamente os assassinos, torturadores e estupradores de oponentes políticos, durante o regime castrense de 1964 a 1985.

Vermelho: O que o senhor aponta como essencial para que a comunicação ajude a democracia brasileira?
Comparato: O sentido original da palavra comunicação é de pôr em comum. No mundo inteiro percebe-se, hoje, que a verdadeira democracia é o regime político em que o povo toma, diretamente, as grandes decisões que dizem respeito ao bem comum, e não se limita a eleger os governantes, incumbidos de decidir em lugar dele.

Ora, para que o povo possa tomar, ele próprio, as grandes decisões nacionais, é indispensável, primeiro, que ele seja corretamente informado sobre as questões a serem decididas; segundo, que as diferentes parcelas do povo possam se comunicar entre si, isto é, pôr em comum suas dúvidas, sugestões e propostas; e, terceiro, que os governantes possam ser questionados diretamente pelo povo.

Para que tudo isso aconteça, é indispensável que os meios de comunicação de massa – imprensa, rádio e televisão, sobretudo – sejam normalmente utilizados pelo povo como seus canais de comunicação, e não apropriados por grandes empresários, que deles se utilizam exclusivamente em seu próprio interesse e benefício.

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Lei da Ficha Limpa é sancionada

Por Wagner Lemos

O presidente Lula sancionou a lei da Ficha Limpa nesta sexta-feira, 04 – projeto de iniciativa popular que foi aprovado no Congresso .

A lei, que sairá no Diário Oficial na segunda, 06, estabelece que cidadãos condenados por compra de votos, corrupção eleitoral ou que obtenham recursos ilícitos para a campanha fiquem inelegíveis pelo período de oito anos.

Leia mais no Arena:

Câmara mexe no projeto “Ficha Limpa”

MCC aguarda os cidadãos de bem

Dilma e Serra empatados

ESTADÂO


Yeda tem vitória na Assembleia Legislativa gaúcha

Reprodução:  FENAJ

Amanhã, terça-feira, 18 de maio, a Assembléia Legislativa do RS aprecia o veto da governadora Yeda Crusius (PSDB) à obrigatoriedade do diploma em Jornalismo para o exercício da profissão no serviço público estadual. O projeto de lei vetado pela governadora foi aprovado pelos deputados gaúchos por unanimidade, no ultimo mês de março.

Vamos pressionar os parlamentares do RS a derrubarem o veto e confirmarem a obrigatoriedade da formação. Abaixo a lista de todos os deputados e seus e-mails.

Envie já uma mensagem a cada um deles, lembrando que a formação superior específica para o exercício da profissão é um instrumento para defender a qualidade, a democracia e a ética no Jornalismo. Por isso, é uma exigência de toda a sociedade brasileira.

Em Porto Alegre, além das mensagens, os jornalistas, professores e estudantes de Jornalismo, os apoiadores do nosso movimento estão convidados a assistirem à sessão da AL que apreciará o veto, como forma de pressão. Diretores da FENAJ e do Sindicato dos Jornalistas do RS também estarão presentes.

Deputados
Partido
Site
Página Pessoal
E-mail
Abílio dos Santos
PTB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Adão Villaverde
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Adilson Troca
PSDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Adolfo Brito
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Adroaldo Loureiro
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Alberto Oliveira
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Alceu Moreira
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Alexandre Postal
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Aloísio Classmann
PTB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Berfran Rosado
PPS
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Carlos Gomes
PRB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Cassiá Carpes
PTB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Ciro Simoni
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Daniel Bordignon
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Dionilso Marcon
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Edson Brum
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Elvino Bohn Gass
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Fabiano Pereira
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Francisco Appio
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Francisco Pinho
DEM
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Frederico Antunes
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Gerson Burmann
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Gilberto Capoani
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Gilmar Sossella
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Giovani Cherini
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Heitor Schuch
PSB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Iradir Pietroski
PTB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Ivar Pavan
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Jerônimo Goergen
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
João Fischer
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Kalil Sehbe
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Leila Fetter
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Luciano Azevedo
PPS
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Luis Augusto Lara
PTB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Luiz Fernando Záchia
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Mano Changes
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Márcio Biolchi
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Marco Alba
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Marisa Formolo
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Marquinho Lang
DEM
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Miki Breier
PSB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Nélson Härter
PMDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Nelson Marchezan Jr.
PSDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Paulo Azeredo
PDT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Paulo Borges
DEM
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Paulo Brum
PSDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Paulo Odone
PPS
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Pedro Pereira
PSDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Pedro Westphalen
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Raul Carrion
PC DO B
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Raul Pont
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Ronaldo Zülke
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Silvana Covatti
PP
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Stela Farias
PT
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal
Zilá Breitenbach
PSDB
Informações Institucionais
Não Existe Página Pessoal

Número de Deputados: 55

Armando Nogueira, um sedutor irresistível

Por Eliakim Araújo, do Direto da Redação

Como jornalista, Armando Nogueira foi um excelente poeta e um prosista de texto refinado. Entrou no jornalismo da TV Globo em 1966, quando o golpe militar estava ainda fresquinho, e lá ficou até 1990, quando o novo presidente, Fernando Collor, convenceu Roberto Marinho a promover Alberico Souza Cruz ao posto máximo do jornalismo global, não que tivesse qualquer objeção a Armando, simplesmente porque precisava premiar o amigo Alberico que teve participação decisiva na edição do debate presidencial e ainda palpitou nos programas especiais que transformaram Collor no indômito “caçador de marajás”.

Armando não foi demitido, pior que isso, sofreu uma “capitis diminutio”. Foi “promovido” a assessor especial da presidência, o que a plebe chama carinhosamente de “aspone”. Dedicou-se então ao jornalismo esportivo, onde, aí sim, foi um verdadeiro mestre da palavra escrita e falada. Fui revê-lo anos mais tarde apresentando um programa de esportes num dos inúmeros canais a cabo da Globo.

De Armando, pessoalmente, guardo duas passagens. Eu estava há menos de um ano à frente do Jornal da Globo quando cruzamos no corredor onde ficava a redação do Globo Repórter. Ele me parou e disse: “olha, eu quero te cumprimentar porque desde Heron Domingues não aparecia aqui um apresentador como a mesma naturalidade dele”. Heron era o ícone de toda uma geração de telejornalistas e ser comparado a ele era um elogio e tanto que elevou meu ego às alturas. Hoje, honestamente, não sei se foi sincero ou apenas uma frase de efeito com a qual seduzia todos que estavam entrando no império global.

Doutra feita, estava eu no Eng, a sala da técnica que comanda a transmissão dos telejornais, quando alguém me chamou ao telefone. Era o Armando: “Tenho uma boa notícia para lhe dar, a partir de agora você vai passar a ganhar cinco mil cruzeiros por mês”. Entre surpreso e curioso, rebati de primeira: “e o que é que vocês vão querer em troca?” Armando ficou visivelmente decepcionado com minha reação, esperava talvez um emocionado agradecimento de quem ganhava dois mil cruzeiros. Ora, pensei naquele momento, onde já se viu um patrão mais que dobrar o salário do empregado sem um motivo especial? Depois se esclareceu que eu, e todos os demais apresentadores, perdiam ali o status de funcionários da Globo e passavam a Pessoa Jurídica com contrato de firma. Na época uma novidade, hoje uma prática comum no mercado televisivo.

Mas apesar de todas as virtudes de Armando, cantadas em prosa e verso nos depoimentos de personalidades das artes, da política e do jornalismo, não dá pra esquecer que ele esteve à frente do jornalismo mais comprometido do Brasil: o que foi praticado pela Globo durante os anos da ditadura militar. O JN era conhecido como “o porta-voz do regime”. As ordens que emanavam dos governos militares eram obedecidas sem questionamento. Não me lembro, sinceramente, de ter visto por parte dos profissionais da Globo alguma tentativa de desobediência ou de driblar a censura, como fez por exemplo o Jornal do Brasil, que saiu com aquela capa histórica no dia seguinte à decretação do AI-5, 13 de dezembro de 68, iludindo os militares fardados que ocuparam as redações assim que terminou a leitura do ato discricionário.

Eu estava na TV Globo durante o primeiro mandato de Leonel Brizola à frente do governo do Estado do Rio. Entrei em maio de 83, pouco depois da posse do novo governo, e o jornalismo da Globo passava por uma grave crise de credibilidade, com seus repórteres e carros ameaçados nas ruas pela população. Pesava sobre a emissora a acusação de, junto com a Proconsult, empresa contratada pelo TRE para apurar os votos da eleição direta para governador do Estado, em 1982, tentar fraudar o resultado para dar a vitória a Moreira Franco, o candidato do regime militar, apoiado pela família Marinho. Por engano ou má-fé, a emissora divulgava números que não refletiam a verdade da apuração.

Em 1984, no episódio das Diretas Já, onde atuei como narrador em off no comício da Candelária, no Rio, a postura da Globo foi a de ignorar por completo os movimentos populares que cresciam em todo país. Mas não bastava ignorar, era proibido usar a palavra “diretas” em qualquer situação, mesmo como notícia, contra ou a favor. Até que a pressão popular tornou-se irresístivel e a emissora foi obrigada a render-se ao apelo da população brasileira.

Em 1989, no segundo e último debate entre Collor e Lula nos estúdios da TV Bandeirantes, no Morumbi, quando eu tinha acabado de deixar a Globo e estava lá representando a Manchete, observei que Lula estava visivelmente cansado e abatido. Além do esforço da reta final da campanha, ele tinha sido acusado no programa de Collor por uma ex-namorada, Mirian, de tentar convencê-la a abortar uma criança (a filha dele, Lurian). Depois se soube que a estratégia (financeira) de colocar a enfermeira Mirian no foco da mídia a três dias da votação partiu de Leopoldo, o irmão de Collor e muito amigo dos Marinho. A família Collor é dona da emissora que retransmite a programação da Globo em Alagoas. Toda essa lembrança histórica é para dizer que Lula foi mal naquele segundo debate, mesmo assim a Globo, na edição da matéria, destacou os melhores momentos de Collor e os piores de Lula.

Os que têm boa memória hão de se lembrar da severa campanha do Jornal Nacional contra o então ministro da Justiça do governo Figueiredo, Ibrahim Abi-Ackel, que ousou impedir a liberação de uma carga de equipamentos supostamente contrabandeados destinados à TV Globo. Durante várias edições, o JN acusou o ministro de envolvimento no contrabando de pedras preciosas, no qual Abi-Ackel não teve, comprovou-se depois, nenhuma participação. Mas pouca gente lembra disso. É provável até que os jovens executivos da Globo “desconheçam” o fato ou, se souberem, contem uma história diferente.

Armando Nogueira estava à frente do jornalismo em todos esses episódios nebulosos que narrei com absoluta fidelidade. De uma maneira ou de outra compactuou com esse tipo de jornalismo corporativo e subserviente.

Talvez tenha faltado em Armando a coragem de assumir sua responsabilidade como diretor de jornalismo da Globo que notoriamente era o braço da ditadura militar na mídia. Sua memória estaria resgatada para sempre se um dia ele tivesse contado toda a verdade, que apenas cumpria ordens que vinham do oitavo andar, mais precisamente da sala do Doutor Roberto. Armando, como eu e todos os que trabalharam na emissora nos anos de chumbo, fomos cúmplices do regime. Uns por total desinteresse político, outros por opção ideológica, outros ainda por necessidade profissional.

Deixo aqui minha homenagem ao Armando Nogueira, poeta, cronista e escritor de texto sensível. E um adjetivo que ainda não ouvi nos inúmeros depoimentos sobre ele: um sedutor irresistível.

Agora é possível?

Por Nonato Viegas

Depois de dizer, em agosto do ano passado “Lula não fará um sucessor”, Carlos Augusto Montenegro, do Ibope, diz não acreditar “que disse aquilo”, diante do crescimento de Dilma Rousseff (PT) nas pesquisas.

“Veja”, via Oscar Cabral, chegou a dizer que “Montenegro faz uma análise que o consagrará se acertar”. Agora, ao iG, por Tales Faria, diz que “deve haver algum engano [ao que disse]”.

À época, o dono do Ibope, no “Coisas de Política” do “Jornal do Brasil, falou também: “Tudo indica que Dilma Rousseff chegará ao final da campanha com cerca de 15% a 17% dos votos. O favorito continua sendo o governador de São Paulo, José Serra (PSDB)”.

Montenegro continuou: “E, se ninguém mais se projetar, é grande o risco de a eleição ser decidida no primeiro turno. O Ciro Gomes (PSB), por exemplo, sai com 14%, mas pode acabar com 6%, 5%, 4%.”

Leia mais:

Manipulação na pesquisa do Ibope?

Ibope diverge de outros institutos

Veja a lista de políticos com perfil no Twitter

Por Wagner Lemos

Do jornal “O Globo” a lista dos políticos que possuem perfil no Twitter.

Com as eleições, prevê, a utilização da rede na disputa vai crescer de acordo com a preferência do eleitor.

O destaque é a falta do perfil da candidata do PT, Dilma Rousseff.

Confira a lista:

Perfis dos prováveis candidatos à Presidência:

José Serra (PSDB) – @joseserra_

Marina Silva (PV) – @silva_marina

Ciro Gomes (PSB) – @ciroFgomes

Prováveis candidatos ao governo do Rio:

Fernando Gabeira (PV) – @gabeiracombr

Anthony Garotinho (PR) – @ blogdogarotinho

Prováveis candidatos ao governo de São Paulo:

Geraldo Alckmin (PSDB) – @geraldoalckmin_

Paulo Maluf (PP) – @paulosalimmaluf

Paulo Skaf (PSB) – @paulo_skaf

Eduardo Suplicy – @esuplicy

Prováveis candidatos ao governo de Minas Gerais:

Patrus Ananias (PT) – @ MinistroPatrus

Fernando Pimentel (PT) – @pimentelminas

Prováveis candidatos ao governo da Bahia:

Jaques Wagner (PT) – @imprensawagner

Geddel Vieira Lima (PMDB) – @geddel_

Paulo Souto (DEM) – @Paulo_Souto

Prováveis candidatos ao governo do Rio Grande do Sul:

Yeda Crusius (PSDB) – @blogdayeda

Beto Albuquerque (PSB) – @BetoAlbuquerque

Provável candidato ao governo do Distrito Federal:

Cristovam Buarque (PDT) – @Sen_Cristovam

Possíveis candidatos ao governo do Paraná:

Beto Richa (PSDB) – @betoricha

Osmar Dias (PDT) – @osmar_dias

Álvaro Dias (PSDB) – @alvarodias_

Possíveis candidatos ao governo do Ceará:

Cid Gomes (PSB) – @cidfgomes

Tasso Jereissati (PSDB) – @Tassojer

Provável candidato ao governo de Pernambuco:

Humberto Costa (PT) – @humbertocostapt

Prováveis candidatos ao governo de Santa Catarina:

Ângela Amin (PP) – @angelaamin

Eduardo Pinho Moreira (PMDB) – @eduardopmoreira

Provável candidato ao governo de Mato Grosso do Sul:

Zeca do PT – @ZECADOPT

Provável candidato ao governo de Goiás:

Marconi Perillo (PSDB) – @marconiperillo

Provável candidato ao governo do Acre:

Tião Viana (PT) – @tiao_viana

Provável candidato ao governo do Espírito Santo:

Luiz Paulo Velloso Lucas (PSDB) – @lpvellozo

Prováveis candidatos ao Senado:

Aspásia Camargo (PV) – @aspasiacamargo

Aloizio Mercadante (PT) – @Mercadante

Marcelo Crivella (PRB) – @MCrivella

Tasso Jereissati (PSDB) – @Tassojer

Lindberg Farias (PT) – @Lindberg_Farias

Demóstenes Torres (DEM) – @demostenes_go

Efraim Moraes (DEM) – @sen_efraimpb

Agripino Maia (DEM) – @joseagripino

Cesar Maia (DEM) – @CesarMaia_

Rita Camata (PSDB) – @_ritacamata

Benedita da Silva (PT) – @blogdabenedita

Milton Temer (PSOL) – @miltontemer

Atuais deputados estaduais do Rio:

Ademir Melo (PSDB) – @DepAdemirMelo

Alessandro Molon (PT) – @alessandromolon

Altineu Côrtes (PR) – @altineu

André Corrêa (PPS) – @depandrecorrea

André do PV – @andredopv

Armando José (PSB) – @deputadoaj

Audir Santana (PSC) – @DrAudir

Cidinha Campos (PDT) – @cidinhacampos

Comte Bittencourt (PPS) – @ComtePPS

Domingos Brazão (PMDB) – @domingosbrazao

Fernando Gusmão (PC do B) – @DeputadoGusmao

Flávio Bolsonaro (PP) – @FlavioBolsonaro

Gilberto Palmares (PT) – @palmares_rj

João Pedro Figueira (DEM) – @DepJoaoPedro

Jorge Babu (Sem partido) – @jorgebabu

Jorge Picciani (PMDB) – @jorgepicciani

Luiz Paulo Correa da Rocha (PSDB) – @LuizPaulo_dep

Marcelo Freixo (PSOL) – @MarceloFreixo

Marcos Abrahão (PT) – @MAmarcosabrahao

Marcus Vinicius (PTB) – @DepMVinicius

Mário Marques (PSDB) – @DepMarioMarques

Noel de Carvalho (PMDB) – @noeldecarvalhoo

Paulo Melo (PMDB) @PauloMeloAcao

Paulo Ramos (PDT) – @pauloramos

Pedro Augusto (PMDB) – @pedrodatupi

Pedro Fernandes (PMDB) – @DepPFernandes

Roberto Dinamite (PMDB) – @rdinamite10

Rodrigo Dantas (DEM) – @RodrigoDantasRJ

Rogério Cabral (PSB) – @Rogerio_Cabral

Wagner Montes (PDT) – @depwagnermontes